Cartografia II

No alto à esquerda mapa do metrô de Londres utilizado na década de 20.
Acima à direita primeiro desenho realizado por Harry Beck em 1913.
Abaixo o mapa aprovado em 1933.

Nos comentários feitos no post anterior surgiu a comparação entre o mapa proposto inicialmente com o mapa do metrô de Londres e, como denunciou Ricardo Gomes, a relação não era tão cabível. Ilustro aqui o mapa do metrô embora ele já tenha sido exaustivamente reproduzido e estudado em diversas publicações de design.

O mapa expressa a face estética do modernismo quando vinculada ao caráter industrial/urbano que se evidenciava na época. No século XIX assiste-se ao advento da formação das grandes cidades e a humanidade entra no século XX marcada pelo signo das metrópoles. Em Londres e Paris multidões moviam-se sob a superfície da cidade. Submergiam em um ponto e saiam em outro. Entre os pontos o percurso sob a vida frenética da cidade, num túnel negro iluminado, sentados, em inércia, um cidadão frente ao outro olhando através.

Publicidades do metrô de Londres utilizavam-se de expressões como “centro nervoso, força”. Em um dos cartazes, representa-se um punho e a eletricidade correndo nas veias. Foi a partir de códigos usados em plantas de circuito elétrico que o Engenheiro-projetista Harry Beck desenvolveu um novo mapa para o metrô de Londres em 1913 que, não tendo sido aceito na época, só viria a ser aproveitado em 1933. O desenho utiliza somente linhas verticais, horizontais e diagonais com os ramais diferenciados por cores. Ignora as posições geográficas exatas em prol da eficiência comunicativa. O centro de Londres foi ampliado para que fosse reproduzido com clareza todas as suas linhas e estações, enquanto as zonas periféricas aparecem reduzidas e com as estações eqüidistantes. Mesmo o rio Tamisa, única referência geográfica de superfície presente no mapa, tem o seu percurso rigorosamente representado em linhas paralelas aos ramais. A partir de 1913, Beck dedicou vinte e nove anos ao mapa, simplificando-o até que pudesse compreender todas as extensões do metrô no formato de uma carteira de identidade, legível nas partes e no todo “a um só golpe de vista.”

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