Niemeyer X Gropius

Por falar em Niemeyer, ele esteve recentemente em Brasília, embora argumentasse não ter o que fazer por aqui (talvez para justificar o passeio tenha apresentado a seguir o projeto da Praça da Soberania). Na viagem foi entrevistado pelo Correio Braziliense e revelou seus desafetos modernos.

“A Bauhaus, que é a turma mais imbecil que apareceu, chamava a arquitetura de a casa habitat.(Não interessava) a forma desde que o quarto estivesse perto do banheiro, a cozinha perto da sala e funcionasse bem. Foi um período de burrice que conseguimos vencer. A escola que eles construíram nunca ninguém pensou nela, porque não tem interesse nenhum, ninguém nunca ouviu falar. E o chefe do negócio, o Walter Gropius, era um babaca completo. Ele foi na minha casa nas Canoas, subiu comigo e disse a maior besteira que já ouvi: ‘Sua a casa é muito bonita, mas não é multiplicável’. Pensei que filho da puta! Para ser multiplicável teria que ser em terreno plano, teria que procurar um terreno igual e meu objetivo não era uma casa multiplicável, era uma casa boa para eu morar. Eles eram assim, sem brilho nenhum. O trabalho que ele deixou é um monte de casas que se repetem. Foi um momento que ameaçou a arquitetura, mas Le Corbusier e os outros reagiram. Foi um momento em que a burrice queria entrar na arquitetura, mas foi reprimida.” (Correio Braziliense 14/12/2008)

É verdade que ninguém tem que meter o bedelho na casa do outro, ainda mais quando se trata de arquitetos. Mas este é um típico refute de um arquiteto formalista-expressionista diante das observações de outro preocupado em determinar os progressos da vida social.

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3 comments

  1. Eu que já implicava com o Niemeyer e suas obras que só servem pra olhar, e não para habitar ou usar, agora perdi completamente o pudor em dizer que o considero um ótimo artista plástico, e um péssimo arquiteto.

  2. Sobre a Bauhaus:

    “A escola que eles construíram nunca ninguém pensou nela, porque não tem interesse nenhum, ninguém nunca ouviu falar.”

    Esse velho está realmente ficando senil… Até na querida e respeitada FAU-USP podem ser encontrados traços claros de métodos de ensino presentes naquela Bauhaus.
    Sobre Canoas, é evidente que Gropius sabia que era um projeto desenvolvido para um local muito particular; qualquer estudante de arquitetura poderia ver isso logo de cara. O buraco é bem mais embaixo. Essa questão do multiplicável tem a ver com a discussão da contribuição social da arquitetura e de que lições se pode tirar para proveito de todos os recursos construtivos utilizados em Canoas. E ainda: Gropius não reprovou a casa do arquiteto brasileiro; pelo contrário: mostrou apreciação. O que poderia ter gerado um debate muito interessante ficou por isso mesmo por causa desse comportamento pavio-curto do nosso amigo carioca (que por sinal morou apenas 3 anos na casa; de 1953 a 1956, quando voltou para o apê na zona sul carioca devido a um deslizamento na encosta de sua casa).
    Aliás, o arquiteto alemão havia mostrado empatia pelas obras do brasileiro naquela mesma visita, afirmando que seus edifícios eram “sempre interessantes e ousados na sua concepção”.

    Bem, deu no que deu…

  3. Heloisa Espada

    Faz 50 anos que o Niemeyer repete as mesmas besteiras, fruto de um ressentimento infantil, coisa de quem não sabe receber crítica. Ele se acha maior que a Bauhaus? Pra quê? E as pessoas ainda dão ouvidos a isso…
    Uma coisa é deixar de ver as qualidades da obra de Niemeyer querendo encaixá-las nos conceitos da Bauhaus, como fez Max Bill. Aí realmente não dá. Outra coisa é dizer que Gropius é imbecil e que a Bauhaus não tem importância.
    Imbecil é o debate não andar pra frente, é continuar interpretando a história de maneira maniqueísta.

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