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Rogério Camara,  SãoLuis,  2001

Weingart: arquitetura e tipografia

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Montagem de imagens extraídas do livro Typography de Wolfgang Weingart

O tipógrafo suíço Wolfgang Weingart seguindo a tradição construtiva na tipografia, retomaria, nos anos sessenta, a observação sobre a arquitetura clássica. Mas, desta vez, ele não buscaria a precisa harmonia estrutural destas construções e sua simplificação final em linhas horizontais e verticais. Ele abandona o conceito dado a essas obras e, lança um olhar especulativo sobre a superfície, observando suas desfigurações, suas pequenas modulações, suas texturas. O interesse se volta ao estado de ruína, aos fragmentos resultantes das diversas ações do tempo.

Weingart investigava a passagem da composição mecânica à fotocomposição, da impressão tipográfica (relevo) ao offset (plana). A tipografia caracteriza-se pelo espaçamento fixo, pelo absoluto controle da disposição dos elementos e pela regularidade dos tipos, já o offset pela possibilidade, em função da planificação de todos os elementos que integram a página, de uma de interação complexa e plástica entre texto e imagem. No offset a imagem é dissolvida em reticulas e recomposta por interpolações dos pontos. Não por acaso as paisagens traduzidas por Weingart em tipografia são templos e cidades em processo de dissolução, ou os espaços pueris dos desertos, que se movimentam a cada lufada de vento.

No bojo das tradições do estilo internacional Weingart operou a desconstrução da tipografia e dos paradigmas da legibilidade.

Um novo ano

Bom, parece que o ano de 2008 se encerra. Foi bom, mas espero um 2009 ainda melhor. Desejo a todos miluma felicidades neste novo ano!

Vitória ES

Neste mês de dezembro deixei de morar em Vitória no Espírito do Santo, onde lecionei por 6 anos na Universidade Federal. Isto me remete, com alguma nostalgia, às primeiras impressões que tive desta cidade.
Minha primeira noite na cidade foi em um Hotel com vista para a praia de Camburi. Do lado esquerdo da praia se via, ao longe no horizonte, o porto de Tubarão, que fica em um dos extremos da estrada de ferro Vitória-Minas e nele os navios são carregados de pelotas de minério. Pelotas que são produzidas numa usina localizada na área do porto a partir do minério bruto que chega de Minas. No outro extremo da praia, do lado direito, uma pequena ilhota, na qual se encontra uma pequena casa.
Vi, assim, de um lado, um cenário próximo ao de uma cidade dos tempos da era industrial no qual se evidenciava o seu principal agente de emprego e produção: no caso a Companhia Vale do Rio Doce com chaminés e grandes navios. A fumaça vindo em nossa direção indicava o sentido do vento e, mais tarde pude observar a quantidade de minério que respirávamos. Uma espécie de ato de distribuição de renda da Vale. Minério para todos!
A ilhota no outro extremo representava, por sua vez, algum isolamento ou elo com um tempo mais longínquo, com se ali estivesse quieto o Robson Crusoe.
Vitória parece ser uma cidade compacta e portátil. Algo que poderia, a qualquer momento, ser carregada pelos imensos cargueiros que se agigantam na paisagem e se colocam a duas braçadas de distância. Do mesmo modo tive a impressão de poder dar um tapa nos aviões que passavam sob minha cabeça. O eco dos portos dia e noite no coração da cidade e o ronco das turbinas dos aviões me faziam imaginar uma cidade que se projetava sempre para além dela, desarraigada. Juntava-se a isso a dificuldade de encontrar na cidade pessoas que tenham nela nascido. Em seus mais de 460 anos Vitória parecia não ter gerado filhos. Talvez por esta sensação de desterro e de falta de identidade encontremos, como por reação, reiteradamente espraiada nas páginas dos jornais locais a palavra ‘capixaba’. O lugar que me parecia sem lugar reagia sempre afirmando o seu lugar.
A escala me permitiu transitar no tempo da bicicleta e do passo. Transformar caras em rostos. Ir da massa abstrata às pessoas.

Contrapoemas e Anfipoemas



Termina neste fim de semana (Oi Futuro – Rio) a exposição “Contrapoemas e Anfipoemas” de Regina Pouchain e Wlademir Dias-Pino. São três mil Contrapoemas e dois mil Anfipoemas, estes associados a duas mil frases com os termos luz e cor.
Apesar da abundância de poemas, atrevo-me a pensar num único poema exposto (ou quando muito dois – o anfipoema e o contrapoema), que se desdobra ao infinito a partir de um processo de compressão e descompressão da forma.
O trabalho nos coloca diante da mais alta expressão da unidade numa infinitude de variáveis. Mas uma totalidade e unidade que, ao contrário das diretrizes modernistas, fogem ao vocabulário do poder. Ou seja, foge a idéia de colocar tudo num sistema totalizante (o que, aliás, define a sempre reverenciada obra de Mallarmé). É, ao contrário, um trabalho de textura, fragmentário, vertiginoso que nos impõe explorar a superfície, numa ação topográfica, muito mais do que uma visão estrutural.
Confiram!